A Uber lançou nesta semana o primeiro serviço comercial de robotáxi em Londres, tornando-se a primeira empresa a operar esse tipo de serviço na cidade — à frente da Waymo, que ainda não iniciou operações comerciais ali. Os veículos usam tecnologia de condução autônoma desenvolvida pela Wayve, startup britânica de autonomia, e não pela dupla que domina o setor nos Estados Unidos, Waymo e Cruise.
Na fase inicial, os carros vão rodar com motoristas de segurança atrás do volante, prontos para assumir o controle se necessário. Isso significa que, tecnicamente, ainda não é uma operação totalmente autônoma nos moldes do que a Waymo já faz em cidades como Phoenix e São Francisco, onde os carros circulam sem ninguém no banco do motorista. O robotáxi de Londres é, por ora, um passo intermediário — mais uma validação de tecnologia em ambiente real do que uma prova de autonomia plena.
O que torna o movimento interessante é a aposta em um fornecedor diferente. Até aqui, a corrida por robotáxis girava quase inteiramente em torno da Waymo (Alphabet) e da extinta Cruise (GM, que encerrou operações de robotáxi em 2024). A Uber, que já havia abandonado seu próprio programa interno de carros autônomos anos atrás, vem construindo uma estratégia de plataforma: em vez de desenvolver a tecnologia, ela integra fornecedores diferentes conforme o mercado — e no Reino Unido, a parceira escolhida foi a Wayve, que testa seu sistema de condução baseado em aprendizado de máquina há anos nas ruas britânicas sem depender tanto de mapeamento detalhado prévio, ao contrário da abordagem da Waymo.
O lançamento também é simbólico para a Wayve, que sai da fase de testes fechados para uma operação comercial real, ainda que supervisionada. Para a Uber, é uma forma de marcar território regulatório e de reputação antes que a Waymo — que já sinalizou interesse em expandir para fora dos EUA — consiga aprovação para operar em Londres.
Fica em aberto quando (e se) a Uber vai remover os motoristas de segurança dos carros londrinos, e que critérios regulatórios ou técnicos vão determinar esse timing. Também não está claro se esse modelo — Uber como plataforma neutra integrando múltiplos fornecedores de autonomia — vai se replicar em outras cidades europeias, ou se Londres é um caso isolado motivado por regulamentação local favorável à Wayve. A pergunta de fundo permanece a mesma de sempre nesse setor: quanto tempo leva para trocar "motorista de segurança presente" por "carro genuinamente sem ninguém no volante"?