A OpenAI anunciou no DevDay 2026, em San Francisco, os Dots — agentes de IA com avatares customizáveis que rodam de forma contínua, sem depender de hardware específico, e executam tarefas de múltiplas etapas com pouca supervisão humana. Junto veio o GPT-6.1 Sol, modelo que a empresa diz chegar perto do desempenho do GPT-6 Astra em código, uso de computador e tarefas profissionais, mas custando um quinto do preço por token (tanto de input quanto de output).

O pacote do DevDay não para aí. O ChatGPT ganhou plugins mais robustos: painéis interativos, visualizador de arquivos, automações e uma barra lateral dedicada. É um movimento que mira diretamente o modelo de app stores e suítes de escritório como as da Microsoft — transformar o ChatGPT em plataforma, não só em assistente. O Codex, ferramenta de programação da OpenAI, também recebeu atualizações: ambientes de nuvem reutilizáveis entre dispositivos, uma CLI revisada com controle por voz e uma ferramenta de segurança para varrer repositórios em busca de vulnerabilidades.

O contexto explica a urgência do anúncio. A Meta já havia apresentado o Muse, seu próprio agente autônomo de execução contínua, e a corrida por esse formato — agentes que não esperam um prompt, mas trabalham em segundo plano em tarefas longas — se tornou o novo campo de batalha entre os grandes laboratórios, ao lado do Gemini do Google e de outros concorrentes. O GPT-6.1 Sol, por sua vez, ataca um problema prático: modelos de ponta como o Astra são caros demais para rodar em escala em produtos que fazem muitas chamadas por segundo. Cortar o custo por token em 80% muda a conta de quem constrói aplicações que dependem de volume, não de um único uso pontual.

Nem tudo no evento foi sobre produto. Organizações protestaram do lado de fora pedindo que a OpenAI priorize segurança e pessoas acima do lucro — uma tensão que acompanha a empresa desde a saída de parte do conselho original e que ganha peso num momento específico: a OpenAI está negociando uma captação de US$ 30 bilhões, numa rodada que avaliaria a empresa em US$ 1,4 trilhão. É descrita como a última rodada privada antes de uma oferta pública planejada para 2027.

Fica em aberto se os Dots vão de fato operar com a autonomia prometida em ambientes de produção, ou se vão esbarrar nos mesmos limites de confiabilidade que atrapalharam gerações anteriores de agentes. E fica a pergunta sobre o próprio negócio: como uma empresa que ainda queima capital em escala bilionária sustenta cortar preço em 80% num modelo competitivo enquanto se prepara para um IPO de trilhão de dólares.