A Anthropic assinou um contrato de US$ 11,6 bilhões, com duração de sete anos, para usar infraestrutura de nuvem da Akamai, priorizando capacidade de CPUs. Dependendo do volume de uso, o valor total pode chegar a cerca de US$ 20 bilhões.
O detalhe que chama atenção não é o tamanho do cheque — nesse patamar de gasto, os grandes labs de IA já normalizaram contratos na casa das dezenas de bilhões. É a estrutura financeira por trás dele: como parte do acordo, a Akamai vai conceder à Anthropic uma participação acionária de até 5% na própria Akamai, que cresce conforme a Anthropic gasta mais na plataforma. Ou seja, quanto mais a Anthropic consome de infraestrutura, maior a fatia que ela passa a deter do fornecedor.
Esse tipo de arranjo é raro. O padrão do mercado de nuvem é o oposto: fornecedores como Microsoft, Amazon e Google historicamente entram como investidores ou parceiros estratégicos de startups de IA (o caso mais conhecido é o da própria Microsoft com a OpenAI), não o inverso. Aqui, é o cliente que acumula participação no fornecedor à medida que a relação comercial avança — um mecanismo que amarra o interesse da Akamai ao sucesso contínuo da Anthropic como consumidora de sua nuvem, e não apenas como cliente pontual.
O contexto ajuda a explicar por que esse tipo de engenharia contratual está aparecendo agora. Provedores de nuvem estão em disputa acirrada pelos contratos dos principais laboratórios de IA — capacidade computacional, sobretudo para treinamento e inferência em larga escala, virou o gargalo estratégico do setor. Para nomes como a Akamai, que historicamente compete em um nicho diferente do de hyperscalers como AWS, Azure e Google Cloud, fechar um contrato desse porte com a Anthropic é também uma forma de se posicionar como fornecedora relevante para cargas de trabalho de IA, um mercado que ainda é dominado pelos três grandes.
Para a Anthropic, o acordo diversifica fornecedores de infraestrutura num momento em que a empresa segue levantando capital em rodadas bilionárias para sustentar o treinamento de modelos cada vez mais caros. A ênfase em CPUs — e não GPUs, o recurso mais disputado e caro do setor — também sugere que parte desse contrato mira operações de suporte, como serviço, processamento de dados ou inferência menos intensiva, não necessariamente o treinamento dos modelos de ponta.
Fica em aberto até onde vai esse modelo de "equity por gasto em nuvem". Se funcionar para a Akamai, outros fornecedores de infraestrutura — especialmente os menores, tentando competir com os hyperscalers pelos contratos de IA — podem copiar a fórmula. A pergunta é se isso cria um alinhamento de incentivos saudável entre cliente e fornecedor ou se apenas disfarça, com uma camada extra de complexidade financeira, a mesma corrida por capacidade que já está pressionando as contas de todo mundo no setor.